24 de abr de 2012


O verão chegou e com ele o calor intenso. Consequentemente esse clima traz as chuvas típicas da estação, que muitas vezes refrescam o ambiente, ou não. As mudanças bruscas de temperatura tem se tornado cada vez mais frequentes nos dias atuais. Os motivos são variados, aquecimento global, efeito estufa e tudo mais. Nomes são muitos e as soluções para evitar esse tipo de problema também. Não adianta se lamentar sobre o excesso de calor, ou sobre as chuvas torrenciais, ou somente se solidarizar com tragédias e apenas reclamar. É preciso fazer algo que dê resultado futuro, pois infelizmente essa será a realidade do planeta durante muito tempo.
Pensando nisso, já existem pessoas e projetos que se preocupam com o meio ambiente. Em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a bioarquiteta Camille Santowsky já pensava em como poderia ajudar o mundo com sua profissão. “Ainda na faculdade, a arquitetura convencional atual não fazia sentido pra mim. Não me encantava. Ao ser apresentada às construções sustentáveis por uma professora, me apaixonei! Como na época o tema não era aprofundado no meio acadêmico, busquei aprender tudo que sei fora da universidade. Foi quando cheguei no Tibá para trabalhar e aprender. E cada vez mais eu tinha certeza de que estava no caminho certo, que me fazia feliz”, disse Camille.
Autora de 12 projetos e duas consultorias, Camille investiu no seu sonho. “Comecei a projetar pela “Teto Verde” em 2010 e até agora foram 12 projetos e 2 consultorias. Isso sem fazer propaganda e trabalhando sozinha no escritório que montei em minha própria casa. A idéia era essa mesmo, começar devagarinho. Cada projeto é desenvolvido em função dos hábitos e gosto das pessoas que vão morar ou utilizar o espaço. Acredito na aliança estética-funcionalidade. Quando um cliente deseja criar hábitos mais saudáveis em sua vida, deve ser algo progressivo e nada radical. Pouco a pouco. Essa é a dica”, afirma a bioarquiteta.
As previsões de um futuro incerto foram umas das coisas que influenciaram a bioarquiteta a se aprofundar cada dia mais neste assunto. Ela acredita que falta mesmo é consciência ambiental entre as pessoas. “O tema central desde o início desse século tem sido o meio ambiente e as previsões catastróficas de um futuro incerto não só para o meio ambiente, mas para a raça humana. Tudo isso gerou muito medo nas pessoas e a maioria passou a agir em função desse medo. Não acredito que o caminho seja por ai. O meio ambiente sempre existiu e sempre existirá e o homem faz parte dele com suas qualidades e imperfeições. Acho que o que falta é consciência”, comentou a bioarquiteta.
Camille ressalta que o futuro deve começar agora e as pessoas precisam estar atentas para não deixar que o termo sustentabilidade se torne algo banal e puro marketing. “Vejo que o mercado atentou para um tema importante (sustentabilidade) e o banalizou. Hoje em dia não sabemos mais quando um produto tem de fato características sustentáveis ou se é somente marketing. É importante ficar atento a isso. Não acho que o futuro da arquitetura nem da raça humana esteja na sustentabilidade não. Se o que queremos é um futuro de harmonia e paz, esse nosso futuro deve ser plantado agora, todos os dias e é com amor! E na arquitetura é a mesma coisa. As construções podem nos proporcionar saúde e é nessa arquitetura que eu acredito”, pontuou Camille.
Casa sustentável – Camille é a autora de um projeto inovador. A residência do casal Melina Goulart e Matheus Barreto, no Engenho do Mato em Niterói é o exemplo de casa sustentável e amor a natureza. O teto verde é o destaque. “O telhado verde é uma técnica de se utilizar uma cobertura vegetal nos telhados das construções. É uma técnica milenar utilizada desde em climas super frios como na Islândia até lugares com temperaturas elevadíssimas como o caso da Tanzania, na África. Sua principal função é equilibrar as temperaturas. Se um lugar é muito frio, as construções com telhado verde serão mais quentinhas. E se o lugar é muito quente, as construções terão temperaturas mais fresquinhas. Melhora também a qualidade do ar (lembrando que as plantas filtram o ar poluído em ar puro pra gente) e evitando enchentes, uma vez que a água da chuva demora mais a ser liberada para as ruas ou pode ser armazenada para reuso”, conta Camille.
Ela ainda lista uma série de benefícios para a casa sustentável. “Redução dos gastos com as companhias de luz e água; melhor conforto térmico; melhoria na qualidade do ar dentro e fora da construção. Mas o principal é que o pensamento é no global. Quando se constrói sustentavelmente não só o bem-estar dos moradores são levados em conta, mas o bem-estar dos vizinhos e de todos que moram ali naquela cidade e que têm as mesmas necessidades básicas que eu e você! E dessa maneira, agindo localmente mas pensando no global, todos saem ganhando”, contou a bioarquiteta.
A Melina Goulart pensa da mesma forma. A engenheira florestal trabalha ministrando cursos de Permacultura e Agroecologia em uma organização não governamental chamada Tibá. Ela ressalta que o grande benefício de ter uma casa sustentável é a auto-suficiência. “O que mais gosto na casa é auto-suficiência que cada vez ela tem mais, devido a reciclagem do lixo, geramos recursos: terra adubada e alimento para os animais por exemplo. A eficiência energética devido ao teto verde que diminui a temperatura da casa e ao bom posicionamento das porta e janelas que a deixam bem iluminada e fresca. A produção de alimentos agroecologicos que colocam alimentos de  alta qualidade na minha mesa”, disse Melina
A engenheira acredita na tendência mundial de preservação, mas vê com receio esse comportamento. “Acredito na integração do homem a natureza, se vendo como parte do ecossistema, sem divisões. Então sinto que infelizmente esta visão de preservação tem aumentado e isso esta fazendo com que a natureza vire mais uma mercadoria. É importante salientar que preservação é diferente de conservação e muitas pessoas estão confundindo, isso atrapalha muito, tem muitos ambientalistas que dizem que estão sendo conservacionista, mas no fundo estão sendo preservacionista. Sou otimista e acredito que a cada dia novas pessoas irão despertar para esta realidade, de sermos parte desta natureza maravilhosa, que podemos interagir com ela de forma saudável e eficiente. Que a mudança acontece dentro de cada um”, finalizou Melina.

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